Valorização e procura por imóveis antigos

Imóveis antigos ganham espaço em Vitória: por que apartamentos maiores voltam ao radar

Construção Mercado

Durante algum tempo, falar em mercado imobiliário significava pensar principalmente em lançamentos, imóveis novos e empreendimentos com estruturas cada vez mais modernas.

Mas existe outro movimento acontecendo no mercado capixaba.

Apartamentos antigos, especialmente aqueles com plantas maiores e possibilidade de reforma, começam a ganhar espaço entre compradores que procuram imóveis para morar em Vitória.

A mudança foi observada por corretores que atuam no segmento de alto padrão e relatada pela ES Brasil em reportagem publicada em 26 de agosto de 2026.

Segundo a publicação, a menor disponibilidade de áreas para novos empreendimentos na capital contribui para colocar os imóveis antigos novamente no radar de famílias que procuram mais espaço.

E essa tendência traz uma questão interessante: um imóvel mais antigo pode, em determinadas situações, oferecer algo que muitos empreendimentos novos já não conseguem entregar com a mesma facilidade: espaço.

Por que imóveis antigos estão chamando atenção?

De acordo com os corretores Marcela Raizer e André Rangel, entrevistados pela ES Brasil, a metragem dos apartamentos antigos é um dos principais fatores que despertam o interesse dos compradores.

A reportagem destaca que empreendimentos mais recentes apresentam, em muitos casos, plantas menores, mesmo quando oferecem apartamentos com quatro quartos ou quatro suítes.

Nos edifícios mais antigos, por outro lado, é possível encontrar ambientes mais amplos.

Essa diferença pode ser relevante para famílias que priorizam espaço interno, salas maiores, quartos confortáveis ou uma planta que permita adaptações.

O imóvel antigo, nesse caso, deixa de ser visto simplesmente como uma construção ultrapassada e passa a ser analisado como uma estrutura que pode ser transformada.

Reforma pode mudar a percepção sobre o imóvel antigo

Um dos movimentos citados na reportagem é justamente a compra de imóveis antigos com intenção de reforma.

Segundo André Rangel, esse comportamento já é observado entre clientes e pode ganhar força nos próximos anos.

A lógica é relativamente simples.

Em vez de procurar exclusivamente um apartamento novo, o comprador pode encontrar um imóvel antigo com uma metragem que atenda melhor às suas necessidades e avaliar a possibilidade de modernizá-lo.

A reforma pode permitir alterações de acabamento, instalações, ambientes e outros elementos da unidade, respeitando naturalmente as limitações estruturais e as regras do condomínio.

Assim, o comprador passa a comparar não apenas imóveis prontos, mas também o potencial de transformação de cada imóvel.

Mais espaço pode ser um diferencial

A metragem é especialmente relevante porque existe uma tendência de redução das plantas em diversos empreendimentos contemporâneos.

Isso não significa que os imóveis novos sejam necessariamente melhores ou piores.

Significa que eles podem atender a necessidades diferentes.

Um apartamento compacto pode ser interessante para uma pessoa que mora sozinha, um casal ou alguém que valoriza localização e praticidade.

Já uma família que procura ambientes amplos pode encontrar em determinados edifícios antigos uma configuração mais adequada.

A própria reportagem aponta essa diferença ao mostrar que apartamentos antigos podem apresentar espaços maiores e permitir projetos de reforma personalizados.

Portanto, idade do imóvel e qualidade da oportunidade não são necessariamente a mesma coisa.

O imóvel antigo pode apresentar uma relação diferente entre preço e espaço

Outro aspecto mencionado na reportagem é o valor do imóvel.

A possibilidade de comprar uma unidade mais antiga e posteriormente investir em sua modernização amplia as alternativas disponíveis para algumas famílias.

Isso não significa que um imóvel antigo seja automaticamente mais barato ou represente uma oportunidade de investimento.

Cada unidade precisa ser analisada individualmente.

O comprador deve considerar o preço de aquisição, o custo estimado da reforma, eventuais despesas extraordinárias do condomínio, estado de conservação do edifício, instalações, documentação e outros fatores.

Um apartamento que parece barato inicialmente pode deixar de ser uma oportunidade se exigir uma reforma muito mais cara do que o previsto.

Da mesma forma, um imóvel mais caro pode fazer sentido quando oferece uma localização, metragem ou características difíceis de encontrar em empreendimentos novos.

A localização também pesa

No caso de Vitória, existe um fator estrutural importante por trás dessa discussão.

A disponibilidade de terrenos para novos empreendimentos é limitada.

A reportagem da ES Brasil relaciona essa menor disponibilidade de áreas à redução dos lançamentos na capital.

Quando novos terrenos são mais difíceis de encontrar, parte do estoque existente ganha importância.

Isso não significa que os imóveis antigos necessariamente substituirão os lançamentos.

Significa que eles podem ocupar um espaço diferente dentro do mercado.

Em regiões consolidadas, um edifício mais antigo pode estar localizado em uma área onde seria difícil encontrar hoje um terreno equivalente para construir um empreendimento com características semelhantes.

Nesse caso, o comprador não está adquirindo apenas uma unidade.

Está também comprando uma localização que pode ser difícil de reproduzir.

O que isso significa para quem compra?

Para quem está procurando um imóvel para morar, essa tendência reforça a importância de não limitar a pesquisa aos lançamentos.

Um imóvel antigo pode fazer sentido quando reúne características que o comprador valoriza.

Entre elas:

  • metragem maior;
  • localização consolidada;
  • ambientes mais amplos;
  • possibilidade de reforma;
  • estrutura do edifício;
  • condomínio compatível com o orçamento;
  • boa relação entre preço, espaço e localização.

Mas é fundamental analisar também os pontos que podem representar custos futuros.

Antes de comprar, vale verificar o estado das instalações elétricas e hidráulicas, elevadores, fachada, áreas comuns, telhado quando aplicável, histórico de manutenção e possíveis obras previstas ou aprovadas pelo condomínio.

Também é importante verificar se existe previsão de chamada de capital ou despesas extraordinárias.

Comprar um imóvel antigo exige olhar para o apartamento e também para o edifício.

E a reforma?

A possibilidade de reforma é justamente um dos principais atrativos apontados na reportagem.

Mas reformar não significa simplesmente modernizar a aparência do imóvel.

Dependendo do projeto, podem existir limitações estruturais e regras condominiais que precisam ser observadas.

Alterações de paredes, instalações, fachadas, áreas externas ou elementos estruturais podem exigir análise técnica, autorização ou documentação específica.

Por isso, o custo e a viabilidade da reforma devem ser avaliados antes da compra, e não somente depois que o imóvel já foi adquirido.

Uma boa decisão pode começar com uma pergunta simples:

Quanto custa comprar e transformar esse imóvel para chegar ao resultado que eu realmente quero?

E para quem vende um imóvel antigo?

A mudança de percepção também pode ser relevante para proprietários.

Se existe um público disposto a comprar imóveis antigos para reformar, determinadas características que antes eram vistas apenas como limitações podem passar a ser apresentadas de outra maneira.

Uma planta ampla, por exemplo, pode ser um diferencial.

Uma localização consolidada também.

A possibilidade de personalização pode ser outro argumento.

Isso não significa esconder a idade do imóvel ou suas necessidades de manutenção.

Ao contrário.

O melhor posicionamento é apresentar com clareza o que o imóvel oferece, o que precisa ser atualizado e qual é o potencial de transformação.

O comprador interessado nesse perfil de imóvel provavelmente não procura necessariamente algo pronto.

Ele pode estar procurando uma base para construir o imóvel que deseja.

Imóveis antigos e imóveis novos não precisam ser concorrentes diretos

Talvez essa seja uma das principais conclusões desse movimento.

A discussão não precisa ser:

“É melhor comprar novo ou antigo?”

A pergunta mais adequada pode ser:

“Qual imóvel atende melhor ao que eu preciso e ao orçamento que tenho?”

Um lançamento pode oferecer tecnologia construtiva, áreas comuns modernas, eficiência e menor necessidade inicial de reformas.

Um imóvel antigo pode oferecer localização consolidada, metragem maior e liberdade para personalização.

São propostas diferentes.

E justamente por isso comparar somente o ano de construção pode não ser suficiente.

O que os dados mostram

A reportagem da ES Brasil aponta alguns sinais importantes:

  • apartamentos antigos estão ganhando espaço entre compradores em Vitória;
  • a maior metragem aparece como um dos principais atrativos;
  • a possibilidade de reforma amplia o interesse por essas unidades;
  • corretores já observam clientes comprando imóveis antigos com intenção de reformá-los;
  • a menor disponibilidade de terrenos para novos empreendimentos contribui para esse cenário;
  • a procura por mais espaço também aparece no interesse por casas de alto padrão em Vitória.

A notícia, portanto, não fala apenas sobre imóveis antigos.

Ela revela uma possível mudança na forma como determinados compradores estão avaliando espaço, localização e potencial de transformação.

💡 DICA DA UNIÃO IMÓVEIS

Se você estiver comparando um imóvel novo com um imóvel antigo, não compare apenas o preço de compra.

Faça uma conta mais ampla.

No imóvel antigo, considere o custo provável da reforma, eventuais obras do condomínio e as despesas necessárias para deixar a unidade nas condições desejadas.

No imóvel novo, considere também o preço por metro quadrado, custos de aquisição, condomínio e aquilo que está efetivamente incluído no empreendimento.

Depois compare o resultado com aquilo que você realmente procura.

Às vezes, o melhor imóvel não é o mais novo. É aquele que entrega melhor a combinação entre localização, espaço, condição e custo total para o comprador.

Conclusão

O crescimento do interesse por imóveis antigos em Vitória mostra que o mercado imobiliário pode oferecer oportunidades além dos lançamentos.

Apartamentos com plantas maiores, localizações consolidadas e possibilidade de reforma podem atender a um público que valoriza espaço e personalização.

A tendência relatada pela ES Brasil também ajuda a lembrar que o mercado não é formado apenas por novos empreendimentos.

Existe valor no estoque imobiliário existente.

Para o comprador, isso significa ampliar a pesquisa e analisar diferentes alternativas.

Para o proprietário, significa compreender que um imóvel antigo pode ter atributos capazes de interessar a um público específico — especialmente quando sua metragem, localização e potencial de reforma são bem apresentados.

No fim, a pergunta mais importante não é simplesmente “novo ou antigo?”

É:

“Qual imóvel faz mais sentido para o que eu quero fazer?”

Fontes

ARCANJO, Letícia. “Imóveis antigos ganham espaço entre compradores no ES”. ES Brasil, 26 de agosto de 2026. A reportagem reúne avaliações dos corretores Marcela Raizer e André Rangel sobre a procura por imóveis antigos, metragem, reformas e mudanças no perfil de compradores.

Observação

A reportagem trata principalmente do mercado de Vitória e das percepções de corretores que atuam no segmento de alto padrão. As interpretações sobre o comportamento do comprador e suas possíveis implicações para o mercado são análises realizadas a partir das informações apresentadas na matéria.

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