Financiamento imobiliáro habitacional

Financiamento imobiliário cresce: o que os números mostram para quem quer comprar um imóvel?

Financiamento Mercado

O financiamento continua sendo uma das principais formas de acesso à casa própria no Brasil — e os dados mais recentes mostram que o crédito imobiliário ganhou força no primeiro semestre de 2026.

Segundo levantamento da Trillia, linha de negócios da B3, foram 507.299 unidades residenciais financiadas no Brasil entre janeiro e junho de 2026, considerando casas e apartamentos. O número representa crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período de 2025.

Mas há um detalhe importante nesses números: o crescimento foi puxado principalmente pelo financiamento de casas.

Financiamento de casas cresce 11,8%

Entre o primeiro semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026, as vendas financiadas de casas passaram de 255.776 para 285.900 unidades.

Isso representa um crescimento de 11,8%.

Já o financiamento de apartamentos passou de 219.972 para 221.329 unidades, uma alta bem mais moderada, de 0,6%.

A diferença chama atenção porque mostra que o crescimento do crédito imobiliário não aconteceu de maneira uniforme entre os diferentes tipos de imóveis.

As casas foram o principal motor da expansão observada no período.

Quanto do imóvel está sendo financiado?

Outro dado importante da pesquisa ajuda a entender como os compradores estão estruturando suas aquisições.

Na média de janeiro a junho, foram financiados 64,8% do valor dos apartamentos e 62,8% do valor das casas.

Na prática, isso significa que, na média apresentada pela pesquisa, os compradores deram uma entrada superior a 35% do valor do imóvel.

É importante lembrar que esses são valores médios observados na pesquisa. A entrada necessária em uma compra específica depende do imóvel, da instituição financeira, da modalidade de crédito, do perfil do comprador e das condições da operação.

Ainda assim, o dado mostra que o financiamento não significa necessariamente financiar a maior parte possível do imóvel.

Para muitos compradores, a entrada representa uma parcela significativa da aquisição.

SFH e SFI: existem diferentes caminhos

O financiamento imobiliário não é uma modalidade única.

Entre janeiro e junho, o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) respondeu por 58% dos contratos de apartamentos e por 63,4% dos contratos de casas.

O SFH possui regras específicas e é uma das principais modalidades utilizadas para aquisição de moradia, especialmente em imóveis dentro dos limites estabelecidos pelo sistema.

Já o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) respondeu por 40% das operações com apartamentos e 32,9% das operações com casas.

Em geral, o SFI atende operações que ficam fora das regras do SFH, incluindo imóveis de valores mais elevados, com condições definidas pelas instituições financeiras.

Há ainda o home equity, modalidade na qual um imóvel quitado é utilizado como garantia para obtenção de crédito. Na pesquisa, ele representou 2,9% dos financiamentos de apartamentos e 3,8% das aquisições de casas.

Conhecer essas diferenças é importante porque o tipo de crédito utilizado pode mudar conforme o perfil da compra.

O crédito imobiliário pelo SBPE também avançou

Os sinais de crescimento não aparecem somente nos financiamentos de unidades residenciais.

Segundo dados da Abecip apresentados na matéria, os financiamentos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram R$ 17,17 bilhões em maio de 2026.

O resultado representa alta de 51,5% em relação a maio do ano anterior e crescimento de 1,1% em relação a abril.

No acumulado de janeiro a maio, as concessões com recursos do SBPE chegaram a R$ 76,5 bilhões, crescimento de 23,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Em quantidade de imóveis financiados, foram 48,1 mil unidades em maio, levando o total do ano para 229,1 mil unidades.

Os números mostram que o movimento de expansão do crédito não está concentrado em apenas uma estatística.

Há crescimento tanto no número de unidades financiadas quanto no volume de recursos concedidos.

Mas o que isso significa para quem quer comprar?

Talvez essa seja a parte mais importante da notícia.

O crescimento do financiamento imobiliário mostra que o crédito continua tendo papel relevante na movimentação do mercado.

Mas isso não significa que financiar um imóvel tenha ficado automaticamente mais fácil ou mais barato para todos.

A decisão de financiar precisa considerar a situação de cada comprador.

Antes de procurar apenas o imóvel que deseja comprar, é importante entender:

  • quanto você possui disponível para entrada;
  • quanto pode comprometer mensalmente;
  • qual valor de imóvel é compatível com sua renda;
  • quais modalidades de financiamento estão disponíveis;
  • quanto pagará ao final do contrato;
  • quais custos adicionais estarão envolvidos na compra.

Uma aprovação de crédito também não significa, por si só, que aquela compra seja adequada ao orçamento familiar.

O financiamento precisa caber na vida financeira do comprador.

O crescimento do crédito aumenta as possibilidades — mas exige planejamento

Os números do primeiro semestre mostram um mercado de crédito imobiliário ativo.

Isso pode ser uma informação relevante para quem está planejando comprar um imóvel, especialmente para quem ainda está na fase de pesquisa e tentando entender se chegou o momento de transformar a intenção em uma busca concreta.

Mas existe uma diferença importante entre ter acesso ao crédito e estar preparado para utilizá-lo.

A melhor decisão não é necessariamente financiar o maior valor que o banco permitir.

Pode ser mais interessante encontrar uma propriedade adequada ao objetivo do comprador, preservar uma margem de segurança financeira e estruturar a aquisição de maneira sustentável.

E para quem está começando a procurar um imóvel?

Os números podem servir como um sinal para começar a estudar as possibilidades.

Você não precisa começar escolhendo um imóvel.

Pode começar fazendo perguntas:

Quanto tenho para dar de entrada?

Quanto posso pagar por mês sem comprometer demais meu orçamento?

Quero comprar para morar ou investir?

Qual localização faz sentido para o meu objetivo?

Que tipo de imóvel estou procurando?

A partir dessas respostas, a pesquisa fica muito mais objetiva.

Em vez de olhar centenas de anúncios sem um critério claro, você passa a procurar imóveis que estejam dentro de uma faixa realmente compatível com sua situação.

Conclusão

O primeiro semestre de 2026 mostrou crescimento do financiamento imobiliário no Brasil.

Foram mais de 507 mil unidades residenciais financiadas, com destaque para o crescimento de 11,8% nas casas e avanço também nas concessões de crédito pelo SBPE.

Os números ajudam a mostrar que o crédito continua sendo uma peça importante do mercado imobiliário.

Para quem pretende comprar, porém, a principal lição não é simplesmente que “há mais crédito”.

É que entender o crédito faz parte da própria decisão de compra.

Saber quanto você pode dar de entrada, quanto pode pagar mensalmente e qual tipo de imóvel é compatível com sua realidade pode fazer uma grande diferença antes mesmo da primeira visita.

💡 DICA DA UNIÃO IMÓVEIS

Antes de escolher o imóvel, procure descobrir qual compra cabe de verdade no seu orçamento.

Ter clareza sobre entrada, parcela e capacidade de pagamento ajuda a transformar a pesquisa de imóveis em um processo mais seguro e evita que você se apaixone por uma propriedade que não faça sentido financeiramente.

Encontre imóveis dentro do que você procura

Depois de entender melhor sua capacidade de compra, o próximo passo é conhecer as oportunidades disponíveis e comparar imóveis que realmente possam fazer sentido para o seu objetivo.

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Fontes consultadas

A Gazeta — “Financiamento de casas puxa alta de crédito para compra de imóveis no 1º semestre”, publicada em 1º de setembro de 2026.

Dados da Trillia, linha de negócios da B3, e dados da Abecip apresentados na matéria.

Observação: os dados de financiamento apresentados neste artigo são referentes ao mercado brasileiro. Eles servem como contexto para a análise do mercado imobiliário e não representam, isoladamente, o comportamento do financiamento no Espírito Santo ou em Vila Velha.

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